DRA SIMONE PISTORI GERARDI - PSIQUIATRIA LONDRINA 
DISTIMIA
DISTIMIA

DIAGNÓSTICO

A distimia caracteriza-se por um estado depressivo LEVE e prolongado, além de outros sintomas como falta de energia ou fadiga, aumento ou diminuição do apetite, insônia ou hipersônia, baixa auto-estima, dificuldade de concentrar-se ou tomar decisões e sentimento de falta de esperança.

Paciente com esse transtorno é frequentemente conhecido como "mal-humorado, reclamão, tolerância zero, difícil de agradar". Lembra muito o estado de espírito do Hardy Har Har, a hiena de desenho animado famosa por viver resmungando "Oh céu, oh vida, oh azar".

Durante essa fase de dois anos o paciente não deverá ter passado por um período superior a 2 (dois) meses sem os sintomas depressivos.

Para o diagnóstico da distimia é necessário, antes, excluir fases de exaltação do humor como a mania ou a hipomania, assim como a depressão maior. Causas externas também anulam o diagnóstico, como as depressões causadas por substâncias exógenas.

 

CARACTERÍSTICAS ASSOCIADAS

Estudos mostram que o sentimento de inadequação e desconforto é muito comum. A generalizada perda de prazer ou interesse também, e o isolamento social manifestado por querer ficar só em casa, sem receber visitas ou atender ao telefone nas fases piores são constantes.

O distímico só enxerga o lado negativo do mundo e não sente prazer em nada. A diferença entre ele e o resto dos mal-humorados é que os últimos reclamam de um problema, mas param diante da resolução. O distímico reclama até se ganha na loteria: Não fica feliz, porque começa a pensar em coisas negativas, como ser alvo de assalto ou de seqüestro.

Esses pacientes reconhecem sua inconveniência quanto à rejeição social, mas não conseguem controlar. Geralmente os parentes exigem dos pacientes uma mudança positiva, mas isso não é possível para quem está deprimido, não pelas próprias forças.

A irritabilidade com tudo e impaciência são sintomas freqüentes e incomodam ao próprio paciente.

A capacidade produtiva fica prejudicada bem como a agilidade mental. Assim como na depressão, na distimia também há alteração do apetite, do sono e menos freqüentemente da psicomotricidade.

O fato de uma pessoa ter distimia não impede que ela desenvolva depressão: nesses casos denominamos a ocorrência de depressão dupla e quando acontece o paciente procura muitas vezes pela primeira vez o psiquiatra.

Como a distimia não é suficiente para impedir o rendimento, apenas prejudicando-o, as pessoas não costumam ir ao médico, mas quando não conseguem fazer mais nada direito, vão ao médico e descobrem que têm distimia também.

Os pacientes que sofreram de distimia desde a infância ou adolescência tendem a acreditar que esse estado de humor é natural deles, faz parte do seu jeito de ser e por isso não procuram um médico, afinal, conseguem viver quase normalmente.

 

EPIDEMIOLOGIA

A incidência é de 3% na população geral e o início da doença pode ocorrer na infância caracterizando-a por uma fase anormal. O próprio paciente descreve-se como uma criança diferente, brigona, mal humorada e sempre rejeitada pelos coleginhas. Nessa fase a incidência se dá igualmente em ambos os sexos.

A distimia é sub-dividida em precoce (iniciada antes dos 21 anos) e tardia (após os 21 anos de idade).

Os estudos até o momento mostram que o tipo precoce é mais freqüente que o tardio. Por outro lado estudos com pessoas acima de 60 anos de idade mostram que a prevalência da distimia nessa faixa etária é alta, sendo maior nas mulheres.

Estudos demonstram que a duração da distimia é de 12,5 anos. Quanto aos sintomas, os mais velhos apresentaram mais queixas físicas enquanto os mais novos mais queixas mentais.

 

CURSO

A distimia começa sempre de forma muito gradual, por isso o diagnóstico preciso só pode ser feito depois que o problema está instalado. O próprio paciente tem dificuldade para determinar quando seu problema começou, a imprecisão gira em torno de meses a anos.

Como geralmente se inicia no início da idade adulta a maioria dos pacientes tende a julgar que seu problema é constitucional, ou seja, faz parte do seu ser e não que possa ser um transtorno mental, tratável.

Os estudos e os livros não falam a respeito de remissão espontânea. Isso tanto é devido a poucas pesquisas na área, como a provável não remissão. Por enquanto as informações nos levam a crer que a distimia tende a permanecer indefinidamente nos pacientes quando não tratada.

 

TRATAMENTO

O tratamento baseia-se na combinação de medicamentos antidepressivos e psicoterapia.

Normalmente é tratado com Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS) como a  Fluoxetina, Sertralina e outros medicamentos mais modernos.

Durante a psicoterapia, uma possível terapia da abordagem envolveria mediar formas mais saudáveis de enfrentamento, mediar novas formas de mobilizar recursos (ambientais, sociais, informativos...), ensinar técnicas de relaxamento, levar o paciente a refletir sobre as vantagens de encarar seus problemas com pensamentos mais otimistas e promover maior qualidade de vida mediando comportamentos como se exercitar, manter uma rotina e fontes de alívio de estresse mais saudáveis.

Pode-se ainda focalizar mais numa re-educação de padrões de comportamento que desencadeiam reações de estresse, um treino de assertividade e em uma dessensibilização sistemática dos eventos mais estressores.

É importante ressaltar que a psicoterapia mais adequada varia muito de acordo com o paciente e da experiência do profissional.

Após o final do período de distimia, o paciente começa a relatar a (re)tomada de gosto por atividades que antes considerava chatas ou entediantes. Nessa nova fase é comum lamentar o tempo perdido e todos os transtornos que a doença causou em sua vida social e/ou profissional. Uma sensação de vazio interior é descrita por muitos pacientes, o que leva o tratamento a abordar agora essa nova condição do indivíduo.