DRA SIMONE PISTORI - PSIQUIATRIA & PSICOTERAPIA LONDRINA 
TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO - TOC
TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO - TOC

DEFINIÇÃO


O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um transtorno mental que se caracteriza pela presença de obsessões e compulsões.


 



OBSESSÕES:


São pensamentos recorrentes insistentes que se caracterizam por serem desagradáveis, repulsivos e contrários à índole do paciente (por exemplo, uma pessoa honesta tem pensamentos recorrentes de roubo, trapaça e traição; uma pessoa religiosa tem pensamentos pecaminosos, obscenos e de sacrilégios).


Os pensamentos obsessivos não são controláveis pelos próprios pacientes. Ter um pensamento recorrente apenas pode ser algo desagradável, como uma musiquinha aborrecida ou um problema não resolvido, mas ter obsessões é patológico porque causa significativa perda de tempo, queda no rendimento pessoal e sofrimento pessoal.


Como o paciente perde o controle sobre os pensamentos, muitas vezes passa a praticar atos que, por serem repetitivos, tornam-se rituais. Muitas vezes têm a finalidade de prevenir ou aliviar a tensão causada pelos pensamentos obsessivos (por exemplo, uma pessoa cada vez que se lembrar do patrão acredita que isso provocará um acidente de carro: para que isso seja evitado, pois o paciente não quer ter a consciência de ter participado do acidente, realiza certos gestos para neutralizar o pensamento). Assim, as compulsões podem ser secundárias às obsessões.


 


COMPULSÕES:


São gestos, rituais ou ações sempre iguais, repetitivas e incontroláveis. Um paciente que tente evitar as compulsões acaba submetido a uma tensão insuportável, por isso sempre cede às compulsões. Os pacientes nunca perdem o juízo a respeito do que está acontecendo consigo próprios e percebem o absurdo ou exagero do que está se passando, mas como não sabem o que está acontecendo, temem estar enlouquecendo, e pelo menos no começo tentam esconder seus pensamentos e rituais.


No TOC os dois tipos de sintomas quase sempre estão juntos, mas pode haver a predominância de um sobre o outro. Um paciente pode ser mais obsessivo que compulsivo ou mais compulsivo do que obsessivo.


 


 


SINTOMAS


O Transtorno Obsessivo Compulsivo é classificado como um transtorno de ansiedade por causa da forte tensão que sempre surge quando o paciente é impedido de realizar seus rituais. Mas a ansiedade não é o ponto de partida desse transtorno como nos demais transtornos dessa classe: o ponto de partida são os pensamentos obsessivos ou os rituais repetitivos. Há formas mais brandas desse distúrbio nas quais o paciente tem apenas obsessões ou as compulsões são discretas, sendo as obsessões pouco significativas.


Os sintomas OBSESSIVOS mais comuns são:



  • Medo de contaminar-se por germes, sujeiras etc;

  • Imaginar que tenha ferido ou ofendido outras pessoas;

  • Imaginar-se perdendo o controle, realizando violentas agressões ou até assassinatos;

  • Pensamentos sexuais urgentes e intrusivos;

  • Dúvidas morais e religiosas;

  • Pensamentos proibidos.


Os sintomas COMPULSIVOS mais comuns são:



  • Lavar-se para se descontaminar;

  • Repetir determinados gestos;

  • Verificar se as coisas estão como deveriam (porta trancada, gás desligado, etc);

  • Tocar objetos;

  • Contar objetos;

  • Ordenar ou arrumar os objetos de uma determinada maneira;

  • Orações repetidamente. 


 


 


DIAGNÓSTICO


Os sintomas obsessivos e compulsivos são exclusivos do transtorno obsessivo-compulsivo, para fazer o diagnóstico. Contudo, além dos sintomas são necessários outros critérios:



  • O tempo gasto com os sintomas deve ser de no mínimo UMA HORA por dia ou quando o tempo for inferior a isso é necessária a existência de marcante aborrecimento ou algum prejuízo pessoal;

  • Em algum momento o paciente reconheça que o que está acontecendo seja excessivo, exagerado, injustificável ou anormal. Isso faz com que o paciente ache que está enlouquecendo e tente esconder o que se passa, fica assustado e quando chega ao médico apresenta essa preocupação. Ao contrário do que se pode pensar a impressão que o paciente tem a respeito de si mesmo é um sinal de bom funcionamento mental, pois o paciente consegue reconhecer algo de errado em si mesmo.

  • Os sintomas não podem ser dependentes de outro transtorno, por exemplo se a preocupação tem como foco a possibilidade de ter novos ataques de pânico não se pode fazer o diagnóstico de TOC.


Pesquisas recentes mostram que pessoas com TOC e seus familiares possuem uma baixa função em áreas cerebrais responsáveis pelo controle habitual do comportamento (stop). As áreas vermelhas marcadas nas imagens são conhecidas como regiões responsáveis por esse controle no comportamento (stop). As pessoas saudáveis possuem essas áreas mais funcionantes. Em pacientes com TOC, bem como em seus familiares, vemos que essas áreas estão pouco ativas.



 


 


CURSO


Esse transtorno apresenta dois picos de incidência. O primeiro na infância e o segundo em torno dos 30 anos de idade. Muitas crianças apresentam esse problema nessa fase e depois nunca mais tem nada. Outras continuam tendo durante a vida adulta. Os adultos também apresentam oscilações do problema: podem ficar livres dos sintomas e dos remédios, mas também podem precisar de uso contínuo.


Esse transtorno incide aproximadamente com a mesma freqüência em homens e mulheres, com pequenas diferenças de um estudo para outro. Nas crianças observa-se um aparecimento um pouco mais comum nos meninos.


 


 


TRATAMENTO


Quando os antidepressivos tricíclicos e os IMAOs eram os únicos antidepressivos no mercado, a clomipramina era a escolha de eleição e primeira linha. A característica desse antidepressivo em relação aos demais era sua relativa forte inibição da recaptação da serotonina. Acreditava-se desde então que essa propriedade fosse responsável pelo efeito antiobsessivo. Posteriormente constatou-se que isso era verdade. Hoje com várias medicações do grupo dos inibidores da recaptação da serotonina (Fluoxetina, Sertralina, Citalopram, outros) as alternativas de tratamento são mais amplas e eficazes.


Tem sido preconizado que o tratamento mais adequado é a combinação da farmacoterapia com as terapias cognitivocomportamentais que isoladamente também apresentam bons resultados, assim como os remédios. A combinação desses tratamentos é superior ao uso isolado de cada um deles.



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